sexta-feira, 30 de setembro de 2011

O dia em que o Brasil chorou por suas crianças


Em abril de 2011 ocorreu um dos maiores crimes já vistos na história do país. Parece filme, não parece real.

Um crime que nós brasileiros estávamos acostumados a acompanhar nos noticiários, na Europa ou nos Estados Unidos. Um crime sem precedentes na país.

Em 7 de abril de 2011, o país perdeu alunos, perdeu uma parte do seu futuro, mas ganhou anjos que vão zelar pelo povo.

Massacre de Realengo refere-se ao assassinato em massa ocorrido em 7 de abril de 2011, por volta das 8h30min da manhã (UTC-3), na Escola Municipal Tasso da Silveira, localizada no bairro de Realengo, na cidade do Rio de Janeiro. Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos, invadiu a escola armado com dois revólveres e começou a disparar contra os alunos presentes, matando doze deles, com idade entre 12 e 14 anos. Oliveira foi interceptado por policiais, cometendo suicídio
Wellington Menezes de Oliveira (Rio de Janeiro, 13 de julho de 1987[Rio de Janeiro, 7 de abril de 2011), de 23 anos, foi aluno da Escola Municipal Tasso da Silveira até a 8ª série (9º ano atualmente).
Wellington era filho adotivo de Dicéa Menezes de Oliveira, o caçula de cinco irmãos e foi adotado ainda bebê. Sua mãe biológica sofria de problemas mentais e chegou a tentar se matar. É descrito por familiares e conhecidos como um rapaz calado, tímido, introspectivo, que não se metia em problemas nem desrespeitava regras. Embora sua mãe adotiva, que morreu em 2010, fosse testemunha de Jeová, Wellington não se tornou membro da religião.  Era uma pessoa calada, tímida e passava boa parte de seu tempo navegando na internet. Wellington se refere em uma carta, ao bullying sofrido na escola: "Muitas vezes aconteceu comigo de ser agredido por um grupo, e todos os que estavam por perto debochavam, se divertiam com as humilhações que eu sofria, sem se importar com meus sentimentos". Conforme o depoimento de um ex-colega: "Certa vez no colégio pegaram Wellington de cabeça para baixo, botaram dentro da privada e deram descarga. Algumas pessoas instigavam as meninas: 'vai lá, mexe com ele'. Ou até incentivo delas mesmo: 'Vamos brincar com ele, vamos sacanear'. As meninas passavam a mão nele (...). Esses maus-tratos aconteceram em 2001. Naquele ano, em 11 de setembro, o maior ataque terrorista de todos os tempos virou obsessão para Wellington".

Wellington, ex-aluno da Escola Municipal Tasso da Silveira, dirigiu-se a pé para a escola na manhã de 7 de abril de 2011, portando dois revólveres — um de calibre 38 e outro de calibre 32[25] — e carregadores do tipo speedloader, que, segundo os policiais, exigem treinamento para uso. Ele estava bem vestido e, por volta das 8h (UTC-3), identificou-se como um palestrante que iria conversar com os alunos naquela manhã. Depois, subiu para o primeiro andar e entrou numa sala de aula da 8ª série (9º ano atualmente), onde estava ocorrendo a segunda parte de uma aula dupla de língua portuguesa com a professora Leila D'Angelo. Wellington entrou sem pedir licença, calmamente, e então pegou suas armas, uma em cada mão, e começou a atirar nos alunos, nos braços e pernas dos meninos e nas cabeças das meninas, visando a matar somente elas. Segundo testemunhas, ele se referia às meninas como seres impuros e posicionava a arma em suas testas de forma cruel antes de matá-las. Morreram dez meninas e dois meninos, todos com idade entre 12 e 14 anos. Ele conseguiu dar mais de cem tiros, graças ao uso dos carregadores. Houve pânico e os alunos e funcionários começaram a correr. Agentes do Departamento de Transportes Rodoviários (Detro), que faziam uma fiscalização em uma rua próxima, foram avisados por uma criança baleada que acabara de fugir do local. Policiais militares do Batalhão de Polícia de Trânsito Rodoviário e Urbano (BPRV), que acompanhavam a ação do Detro, foram até o local e imobilizaram o suspeito com um tiro. Ele então atirou contra a própria cabeça.
O atirador foi detido pelo 3º Sargento da Polícia Militar Márcio Alexandre Alves, de 38 anos. Segundo ele, o atirador chegou a apontar-lhe a arma, sem contudo atirar. Alves atirou no terrorista, fazendo-o cair e, em seguida, cometer suicídio. "O sentimento é de tristeza pelas crianças. Eu tenho filho nessa idade. Mas também é sentimento de dever cumprido, impedi que ele chegasse ao terceiro andar e fizesse mais vítimas", declarou. Wellington Oliveira deixou uma nota de suicídio no local. Na missiva, já havia por escrito a intenção de se matar após a sua ação premeditada.

No total, doze crianças foram mortas.

Um epísódio triste, que marca para sempre a história do país e a vida dos brasileiros.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Massacre_de_Realengo

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Impaciência explica violência contra crianças?


História 1 - Uma freada brusca assusta os pedestres da quadra comercial onde eu tinha almoçado com meu marido, num dia de semana, em Brasília. Como eu me virei rápido, ainda vi o topo da cabeça de um menino, obviamente pequeno e fora da cadeirinha, voando violentamente para a frente. O carro parou no meio da rua. A voz vociferante do motorista ecoava pelo quarteirão.
  • Olha a m.que voce fez. OLHA A ME*** QUE VOCE FEZ!!!!”.
O homem empurrou o garoto para trás no banco e arrancou com o carro. Tive medo, pelo menino.

História 2 - Estou numa das cabines individuais de um dos banheiros do aeroporto de Recife com minha filha mais velha. De repente, por baixo da divisória, algo líquido cai com força no chão e quase espirra em nossas pernas. Em seguida, o silêncio é rompido por uma mulher gritando, transtornada, vários palavrões. “Sua idiota! Sua burra, sua imbecil! P.q.pariu!!! P.Q.P!!! Tão grande, abestada, fazendo m. P. que estúpida, que estúpida!!!

Minha filha me fita com os olhos arregalados, entreabre os lábios, mas eu coloco o indicador na frente dos lábios, sinalizando para ela não falar nada. Não ouvimos a voz da criança. A mulher continuava gritando. “Tinha que fazer nas calças? Mas que burra, que burra!!!”. Até eu me assustei com o tom da mulher. Estava muito desproporcional para uma criança que tinha acabado de fazer xixi nas calças. Quando saímos da cabine, elas já tinham ido. Isso aconteceu no retorno de uma viagem de férias, em março.

História 3 - No pilotis do prédio comercial, uma mulher arrasta com raiva um menino de 4 anos presumíveis pelo antebraço. Eles passam por mim, por várias pessoas, enquanto ela grita ameaçadoramente “em casa vou te enfiar a po***da, eu vou te comer de p***da!!“

Eu não tenho ideia se os adultos cumpriram ou não suas ameaças, ou se foram adiante com seus rompantes protegidos pela privacidade. Na rua, aquilo tudo já não estava bom. Nem o olhar do outro serviu como freio. Pode ser também que nada tenha acontecido, mas as estatísticas de violência doméstica contra criança e as frequentes notícias de maus tratos insistem em nos revelar o que há de pior por aí – além desse lamentável show na rua.

Aquele sujeito não bateu, mas freou com tanta raiva que poderia ter machucado seriamente a criança solta no banco de trás.

A mulher histérica conseguiu humilhar a criança por causa de um xixi.

A ameaça da outra desqualificada que arrastava o menino parecia prenúncio de um espancamento, mas talvez tenha sido apenas isso, uma ameaça com direito a uma lição sobre falta de educação.

Não quero entrar aqui no mérito da lei da palmada, até porque ausência de palmada não significa ausência de violência. Vejo por aí a perigosa mistura de outros ingredientes muito mais danosos na educação de uma criança. Já pensou qual será o futuro de um garoto que aprende com o pai super carinhoso que importante é se dar bem na vida, à custa do outro, do dinheiro de todo mundo e por aí vai? Pois é.

Mas eu queria falar de algo mais sutil. Paciência é um artigo de luxo, raro, eu diria, que pode faltar nas melhores famílias, mas noção é gênero de primeira necessidade. Não está à venda em shoppings, nem é distribuída gratuitamente por aí.

Contra a falta de sensatez, não há lei que nos proteja. Tem hora, viu.

Fonte : Isabel Clemente é editora-assistente de ÉPOCA em Brasília.
Retirado de : http://colunas.epoca.globo.com/mulher7por7/2011/09/14/impaciencia-explica-violencia-contra-criancas/

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Dezoito mil crianças são vítimas de violência doméstica por dia no Brasil




Em média, 18 mil crianças são vítimas de violência doméstica por dia no Brasil. Os dados, apresentados pela Sociedade Internacional de Prevenção ao Abuso e Negligência na Infância (Sipani), representam 12% das 55,6 milhões de crianças menores de 14 anos. Frente a esta realidade, não há muito para comemorar neste Dia Mundial contra a Agressão Infantil, celebrado ontem.
O perigo está mais próximo do que se imagina. Dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) mostram que 80% das agressões físicas contra crianças e adolescentes foram causadas por parentes próximos. Ainda de acordo com o Unicef, de hora em hora morre uma criança queimada, torturada ou espancada pelos próprios pais.
Segundo o professor Vicente Faleiros, do Departamento de Serviço Social da Universidade de Brasília (UnB), cerca de 70% das denúncias de agressão física contra crianças foram praticadas pela própria mãe. O professor afirma ainda que o abuso sexual normalmente é praticado pelo pai ou padrasto.
No Rio de Janeiro, de acordo com a delegada Renata Teixeira Dias, responsável pela Delegacia de Proteção a Crianças e Adolescentes Vítimas de Violência (Decav), cerca de 40% de todas as ocorrências registradas por mês nas delegacias do Estado são de agressão infantil. Ainda segundo a delegada, apenas 1% das denúncias são feitas pelas vítimas.
Os tipos de agressão infantil são diversos. Os mais comuns são a violência física, a psicológica e a sexual. Segundo dados do Sistema de Informação para a Infância e Adolescência (Sipia), de 1999 até 2007, foram registrados 28.840 casos de agressão física, 28.754 de violência psicológica e 16.802 de abusos sexuais em todo o país.
Na opinião do professor Vicente Faleiros, bater definitivamente não é a melhor solução. Para ele, o ideal é o diálogo com a criança. Segundo o professor, é mais eficaz explicar para a criança as conseqüências de seus atos e como você se sente decepcionado com isso, do que bater nela. Além de melhorar o relacionamento com a criança, esse tipo de atitude acaba evitando que ela se torne um agressor no futuro.
Entre as causas da violência infantil está o trauma de quem foi agredido quando criança. Pais que quando crianças foram vítimas de violência doméstica tendem a repetir as agressões em seus filhos.
De acordo com o Centro de Combate à Violência Infantil (Cecovi), outras causas para a agressão são: ver a criança e o adolescente como um objeto de sua propriedade; a projeção de cansaço e problemas pessoais nos filhos; fanatismo religioso; e problemas psicológicos e psiquiátricos. O procurador da República Guilherme Zanina Schelb, acrescenta que a violência infantil está ligada ao alcoolismo e à falta de limites do agressor, que se não for advertido, vai continuar agindo:
Denuncie
Quem suspeita de que uma criança esteja sofrendo agressão de qualquer forma deve encaminhar a denúncia para o Conselho Tutelar ou para o Ministério Público de sua cidade o mais rápido possível. Se ficar provado que a criança é vítima de maus tratos, o agressor será punido, e a guarda da criança passará a ser do parente mais próximo.
No caso de maus tratos, a pena varia de dois meses a um ano. Se a agressão resultar em lesão corporal de natureza grave, a pessoa pode pegar de 1 a 4 anos. Já no caso de morte, o agressor pode ser condenado de 4 a 12 anos. Para saber qual o telefone do Conselho Tutelar mais perto de sua casa, ligue para o número 100 (ligação gratuita).
Fonte: O Globo